Um peso me desceu pelo estomago, não sabia o que fazer em seguida. Sobre a pia, alguns papeis amassados, vidros com loções e um envelope pardo, fechado, do tamanho de um cartão postal. Abri o envelope com minhas mãos tremulas e suadas. Um nome e um telefone. De repente senti uma fraqueza um fraco piscar de luzes , como se minha pressão estivesse baixa. Fiquei tonto por alguns instantes. Tudo aquilo estava indo longe demais, marcando pra sempre minha vida pastoril. Sentia espirais azuis de pânico e ansiedade fluindo, mas me controlei a ponto de pensar. Morgana, 97893547. A mensagem do envelope. Se eu quisesse esclarecer alguma coisa sobre tudo isso, teria que procurar essa pessoa.
Num impulso calcei meu tênis e terminei de me vestir. Abrindo a porta, corri, em fuga, pela escada. Na metade dos 10 lances de escada, percebi que estava com uma dor de cabeça torturante. Ao passar pela portaria, tentei inutilmente disfarçar meu nervosismo e minha respiração ofegante.
Porteiro: - Aconteceu alguma coisa senhor? Posso ajudar?
Eu: - Nada demais, é que estou muito atrasado.
Depois de correr algumas quadras, tropecei em um desnível da calçada, caindo sobre uma poça, levantando aos tropeções e sentando, por falta de fôlego, num canteiro de relevo. Quando ergui minha cabeça, tudo girou, me senti como um recém -nascido, olhando pra um mundo novo e assustador. Ouvia vozes, mas elas não faziam sentido. Os rostos me pareciam estranhos, como de marionetes. Num instante, tudo começou a ficar leve e as luzes se apagaram. Escuridão. O útero silencioso. Desmaiei. Quando despertei, já era noite. Notei que estava sob uma amendoeira. Ouvia o barulho do mar. Coloquei as mãos nos bolsos. Um envelope pardo, meu celular e minha carteira. A dor de cabeça tinha aliviado. Liguei pro número.
Sábado, Maio 07, 2011
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