Eu: -você?
Ela: -Cintia. Respondeu jogando uma mecha de cabelo pra trás do ouvido. Então engoliu o último gole cúprico que infectava o copo.
Ela: Você parece com um amigo meu que viajou hoje pra Alemanha.
Eu: Eu não gosto de parecer com ninguém.
Ela: Pois é. Mas você parece e muito com o Leo.
Eu: Fazer o que? Nem tudo é como a gente quer.
Pegou a garrafa e encheu o os dois copos com Martini. A maça de seu rosto relaxou enquanto o sorriso se desfazia. E seus olhos sem destino sugeriam uma procissão de memórias ruins em sua mente.
Ela: Mas então. O que a vida faz de você?
Eu: Bom. Trabalho num colégio aqui perto. Me pagam pra dar aulas. De vez em quando escrevo algumas coisas. E você?
Ela: Tenho uma Galeria de Artes. Pinto quadros e faço esculturas. De dia, percorro as ruas em busca de alguma influência. Tentando misturar na memória os sentimentos dos outros, estímulos diferentes.
Eu: Entendo
Ela: Tá brincando?
Eu: Não. Também faço isso antes de escrever.
Então, ela me sorriu com um sorriso verdadeiro, relaxou e engoliu o Martini do copo em um gole só.
Ela:- Acabei de ter um Dejá vu muito forte, preciso te mostrar um lugar.
Disse isso me puxando pelo braço com sua mão, ainda gelada, que tinha segurado o copo de Martini.
Eu: Hã?
Ela: Isso mesmo. Vem. Pague sua conta e vamos até a Orla. É quinze minutos andando.
Certamente o álcool já tinha subido à sua cabeça artística. Mas estava curioso para saber onde ia parar naquela quarta que tinha tudo pra ser mais um fósforo queimado na caixa do tempo.
Sábado, Dezembro 04, 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário