Sábado, Dezembro 04, 2010

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Eu: -você?
Ela: -Cintia. Respondeu jogando uma mecha de cabelo pra trás do ouvido. Então engoliu o último gole cúprico que infectava o copo.
Ela: Você parece com um amigo meu que viajou hoje pra Alemanha.
Eu: Eu não gosto de parecer com ninguém.
Ela: Pois é. Mas você parece e muito com o Leo.
Eu: Fazer o que? Nem tudo é como a gente quer.
Pegou a garrafa e encheu o os dois copos com Martini. A maça de seu rosto relaxou enquanto o sorriso se desfazia. E seus olhos sem destino sugeriam uma procissão de memórias ruins em sua mente.
Ela: Mas então. O que a vida faz de você?
Eu: Bom. Trabalho num colégio aqui perto. Me pagam pra dar aulas. De vez em quando escrevo algumas coisas. E você?
Ela: Tenho uma Galeria de Artes. Pinto quadros e faço esculturas. De dia, percorro as ruas em busca de alguma influência. Tentando misturar na memória os sentimentos dos outros, estímulos diferentes.
Eu: Entendo
Ela: Tá brincando?
Eu: Não. Também faço isso antes de escrever.
Então, ela me sorriu com um sorriso verdadeiro, relaxou e engoliu o Martini do copo em um gole só.
Ela:- Acabei de ter um Dejá vu muito forte, preciso te mostrar um lugar.
Disse isso me puxando pelo braço com sua mão, ainda gelada, que tinha segurado o copo de Martini.
Eu: Hã?
Ela: Isso mesmo. Vem. Pague sua conta e vamos até a Orla. É quinze minutos andando.
Certamente o álcool já tinha subido à sua cabeça artística. Mas estava curioso para saber onde ia parar naquela quarta que tinha tudo pra ser mais um fósforo queimado na caixa do tempo.

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