Domingo, Novembro 28, 2010

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Entrei no bar deixando pra trás a luz amarelo-ferrujem dos postes. Já tinha se tornado um ritual. Mais um entre outros que reduziam meus horizontes de opções a corredores de uma repetição fria e sem sentido. Antes de pedir, o garçom já estava completando meu copo com um whisky barato.
Estava tão concentrado na minha imaginação que mal tinha percebido minha vizinha de banco. Hoje não estava bebendo sozinho. Não fisicamente. Havia uma moça branca, vestida de cintura-alta cinza, meia arrastão e sapatos vermelhos com acabamento reluzente, em laço. Seu olhar castanho claro, vacilante, estava mais opaco do que a madeira surrada do balcão. Sua mão branca fazia círculos repetidos no seu liso cabelo negro. Distração.
Quando terminei meu segundo copo, fui intercalado por uma mão pequena que segurava um cigarro apagado.
Ela:-Tem fogo?
Eu:-Não. Parei de fumar.
Ela:-Eu também.
Com um sorriso, ela guardou o cigarro na caixa e a caixa na bolsa. A garrafa de Martini pela metade chamou minha atenção. Como e porque aquela mulher tinha parado naquele bar, num começo de noite de uma quarta-feira, com o objetivo de terminar com uma garrafa inteira de Martini. Ela, então, voltou a se concentrar no papel de parede apodrecido por anos de infiltrações.
O silêncio voltou a dominar o bar. Não percebi que a estava olhando fixamente. Ela reparou e perguntou, com um gesto, se eu queria ajudá-la a beber aquele resto de garrafa. Só agora tinha percebido as covas do seu sorriso e seus lábios finos ressecados pelo tabaco. Aceitei.
Ela:-Como posso te chamar?
Eu:- Teobaldo.

2 comentários:

bolinha colorida disse...

continua?

bolinha colorida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.